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O Tropicalismo, tema que encerrou o Ciclo de Palestra sobre a MPB

Encerrando o ciclo de Palestras sobre a MPB, o músico Luis Felipe Tavares, sob a supervisão do professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Raimundo Nonato da Rocha, abordou o movimento musical denominado Tropicalismo, que surgiu em 1967 e teve uma duração efêmera.

A palestra aconteceu na última quarta-feira, dia 19 de novembro, no auditório do CRO-RN, dentro da programação da Quarta Cultural, que apresenta duas vezes por mês o Sarau Lítero Musical.

O músico Luis Felipe, que faz mestrado em História na UFRN sob orientação do professor Raimundo Nonato, mostrou em sua palestra o surgimento do Tropicalismo, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, a sua importância para a música popular e as influências nas gerações seguintes.

Segundo o músico, “o Tropicalismo, como toda manifestação cultural, é fruto do seu tempo, que vivia na década de 60 a Guerra Fria, a Contra-cultura e a Ditadura Militar”.

O Tropicalismo, de acordo com Luis Felipe, foi um movimento interartístico, que sofreu influências da poesia Concretista, do Cinema Novo, das artes plásticas e da música erudita de vanguarda.

Na palestra, o músico também mostrou as inovações do Tropicalismo em relação à Música Popular Brasileira produzida antes, principalmente quanto à letra, harmonia, ritmo e forma de cantar.

Com mais de 1 hora de apresentação, a palestra abordou ainda “o uso de novos instrumentos e os novos usos de velhos instrumentos”, passou pela passeata contra as guitarras, em 1967, que Gilberto Gil participou e depois confessou ter se arrependido de ter aderido ao movimento contra o instrumento.

Ele ainda falou do sucesso do grupo Os Mutantes com Rita Lee, que introduziu o rock psicodélico no país e participou do álbum “Tropicália ou Panis Et Circensis”, em 68, considerado o marco do Tropicalismo.

Para os mais jovens, que não vivenciaram este período, o movimento tropicalista liderado pelos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, com participações de Gal Costa, Tom Zé e Rogério Duprat, universalizou a linguagem da MPB, incorporou a música brasileira o rock e a guitarra elétrica, além de ter modernizado a cultura tupiniquim.

O Tropicalismo teve uma duração efêmera, de 1967 a 68, mas sacudiu a MPB, rompeu com a Bossa Nova, misturou vários estilos de música, como o rock e o baião, e ainda desafiou o Regime Militar com suas letras ousadas para época. O resultado foi a prisão de Caetano e Gil no final de 68 e depois o exílio da dupla na Inglaterra.

As letras irreverentes do Tropicalismo transformaram os jovens, mudando o comportamento em relação à moral, ao sexo e ao modo de viver e se vestir.

Segundo Luis Felipe, o movimento até hoje ainda influência os novos músicos como ele que estão ingressando na carreira artística.

 

No encerramento da palestra, um dos poetas que participa assiduamente do Sarau Litero-Musical e faz parte da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA-RN), lembrou que a realidade musical hoje é bem diferente daquela época.

Segundo ele, antes a música brasileira tinha letra e melodia, “hoje somos obrigados a ouvir a ‘Egüinha Pocotó’ e outras”.

O ciclo de palestras “A MPB, do Choro ao Tropicalismo”, que começou em julho, foi idealizado pelo CD Givaldo Soares da Silva e aprovado pelos conselheiros.

Ao final da palestra, assistida também pelo vice-presidente do  Conselho Federal de Odontologia (CFO), Dr. Ailton Morilhas Rodrigues, o presidente e vice da Federação Interestadual de Odontologia (FIO), os doutores Wellington Moreira Melo e  José Carrijo Brom, o presidente do CRO-RN, Eimar Lopes, convidou os  presidentes do CFO e FIO para entregarem ao músico Luis Felipe e ao seu mestre Raimundo Nonato os certificados de participação no evento.

Os presidentes do CFO e da FIO elogiaram a iniciativa do ciclo de palestra sobre a MPB e também a realização do sarau, mostrando a importância da abertura do conselho para a sociedade.

O ciclo de palestras “A MPB, do Choro ao Tropicalismo”, que começou em julho, foi idealizado pelo CD Givaldo Soares da Silva e aprovado pelos conselheiros. O evento contou ainda com o apoio do da SPVA-RN e do CD, Rubens Azevedo, presidente da Socidade Brasileira de Dentistas Escritores (SBDE).

Foram apresentadas quatro palestras durante o ciclo. A primeira foi sobre O Choro, depois vieram o Samba, O Baião, a Bossa Nova e agora o Tropicalismo.

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