Natal, 23 de fevereiro de 2012

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Quinta-feira, 24 de novembro de 2011
A Odontologia está menor e mais triste!

Morreu Joaquim Guilherme, figura emblemática da Odontologia do Rio Grande do Norte.

Guilherme era um homem polêmico, irreverente, boêmio e generoso. Ele era autêntico, sem meias palavras.

Foi um bom pai, um bom amigo. Sincero, exemplar e leal.

Concluiu seu curso de Odontologia em Recife, como quase toda a “velha guarda” da Odontologia do nosso Estado.

Voltou à Natal e instalou seu consultório na Rua Gonçalves Lêdo, vizinho de uma funerária de sua propriedade, que depois vendeu.

Foi amigo do professor José Nunes Cabral de Carvalho, que, reconhecendo o seu valor, convidou-o para ministrar a disciplina de anatomia no curso de Odontologia da UFRN.

Foi ao Rio Grande do Sul, fez Pós-Graduação em Anatomia Dentária e passou a ser responsável por esta disciplina.

Teve uma vida social intensa. Pertenceu ao Lions Clube e à diretoria do América Futebol Clube e, nas entidades de classe, teve grande atuação.

Foi presidente, por várias vezes, da Associação Brasileira de Odontologia, Secção-RN, mas seu grande momento foi quando assumiu a direção da Faculdade de Odontologia, onde fez uma grande administração.

Pertenceu também à Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia, onde um fato inusitado e pitoresco aconteceu:

Na sua entrada à Academia foi recebido pela Diretoria para comunicações de praxe e, diante de alguns colegas de idade avançada, logo exclamou:

- “Meu Deus, cometi um grande erro, vendi minha funerária”. Assim era Guilherme, um gozador em qualquer ocasião.

Exímio dançarino e amante da boa música, Guilherme tinha uma discoteca com mais de 5.000 (cinco mil) CDs, com destaque para a música popular brasileira e americana, principalmente as grandes orquestras.

Como aluno, amigo e dentista não consigo vê-lo de outra maneira, senão como uma pessoa que esbanjava alegria.

Às sextas feiras, de forma generosa, ele costumava oferecer uma peixada aos seus familiares e amigos, ocasião em que predominava um bom vinho, uma boa música e muita conversa, às vezes “apimentada”.

Compareciam, normalmente, seus amigos Fernando Rezende,

Pedro Lopes Cardoso, Lenilson Carvalho e o escriba que vos fala, dando este testemunho de reconhecimento dessa grande figura.

Deus foi muito generoso com Joaquim Guilherme, colocando em seu caminho grandes mulheres.

Concedeu-lhe um grande senso de humor e uma extensa existência de 90 anos.

Joaquim era alegre por natureza.

Em uma recepção no congresso, o Governador Walfredo Gurgel fez uma gozação, e ele respondeu à altura:

- Disse o governador: - “Veja a que ponto chegamos, Joaquim Guilherme, você, diretor da Faculdade de Odontologia!”.

- Respondeu Guilherme: - “Veja a que ponto chegamos, Monsenhor, o senhor, Governador do Estado.

Outro fato marcante mostrou como ele não era preconceituoso e se relacionava muito bem com seus alunos.

Reinaldo Azevedo, Cirurgião-Dentista e amigo, sofreu uma grande discriminação de um professor de Medicina nas aulas de Anatomia, por ter feito a caricatura desse professor. Vaidoso, o Mestre disse: - “Reinaldo, você fez minha caricatura, mas até final do ano eu faço a sua caveira!”.

Joaquim Guilherme tomou conhecimento deste episódio e, na primeira aula de Reinaldo, perguntou:

- “Foi você que fez a caricatura do professor de medicina?”.

Reinaldo, trêmulo, confirmou.

Guilherme então o sentenciou: - “Aqui você será reprovado Se NÃO fizer minha caricatura!”

E foi atendido:

Hoje, no céu, certamente já se encontrou com os quatros grandes da Odontologia do Rio Grande do Norte:

José Cavalcante; Odilon Garcia; Clemente Galvão e Pedro Lopes Cardoso.

Tudo isto secretariado pelo seu irmão, José Maria Guilherme.

Autor:
Givaldo Soares - Cirurgião-dentista

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